No início, eram deles. No divórcio, ficaram com ela. Por muitos anos, foram usadas poucas vezes. Mais tarde, foram resgatadas por outro ‘ele’, num daqueles truques fáceis de conquista. Quando a vida comum se transformou em convívio e rotina, as dele se tornaram deles. Menos por escolha e mais pelas exigências de uma realidade distópica. Por quase três meses. E assim, a vida seguiu: cada um com as suas. As dele voltaram a ser só dele. As dela, que continuavam encaixotadas, se mudaram. Sem que se misturassem ou chegassem a conviver, sem que precisassem se dividir outra vez. Então, num novo espaço, as dela finalmente saíram das caixas e descobriram novas possibilidades.
