Em diversos períodos da história, cidades inteiras eram protegidas por muralhas enormes e acessadas por uma grande porta. Há que proteger, no amor e na guerra. Ainda que séculos depois as muralhas caiam e as portas tornem-se grandes marcos turísticos, que devem servir para fazer lembrar algo, algo que escapa.
Em geral, a ideia de muros e um ponto de checagem traz uma (provavelmente falsa) sensação de segurança. Diferente das casas onde havia morado a vida toda, ter uma portaria disposta a barrar entradas não permitidas deixava meu sono mais tranquilo. Sem mais medo de assaltos, sem mais sobressaltos de ter que encarar o interfone sozinha.
Mas, como tudo que é questionável pode piorar, a revolução dos aplicativos trouxe a facilidade das autorizações de acesso por períodos. A funcionalidade ainda era nova e quando pedi um pouco de espaço num relacionamento que não estava indo bem. Vi as muralhas da minha cidadela ruírem quando acordei com a campainha do apartamento tocando. Ainda preciso chamar meu medo de invasões de “questão”?
