01. A xícara

Foi naquele fim de tarde, sentada diante dele pra um café que se deu conta de que a coisa não estava funcionando. Esperava que ele fosse capaz de colocá-la de volta nos eixos, que as trocas pudessem saciar seu apetite voraz por saber mais. Acreditava que aquele encontro, digno de roteiro de filme, tinha que significar alguma coisa. Já se imaginava contando pra todo mundo que se conheceram da maneira mais improvável – ao acaso, numa livraria. Quando ele pegou sua mão e começou a beijar seus dedos finos, enquanto os lábios subiam pelo seu braço bronzeado e a barba grisalha produzia nela arrepios automáticos, deslocada e desconfortável, ela se perguntou: por quê? Baixou os olhos para a xícara que tinha à sua frente. Diante da precisão e da clareza, terminou em silêncio seu espresso.

Outro? – Foto por @quarent.a

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