08. Iluminada

Com bastante frequência, penso em tudo que eu não sei. Em situações que não conduzi bem. Em argumentos que não usei. Em referências que não lembrei. Em resultados que não bateram com o gabarito. Em explicações concretas que não entendi. Em nomes que esqueci. Em lapsos que a minha pressa deixou acontecer, que acontecem o tempo todo. Em respostas que não tinha, que não tenho. Em tudo que (ainda?) não li.

Passei a marca dos 40, a sabedoria não veio. E diante de tudo que (ainda?) não aprendi, uma busca incessante para preencher um vazio de conhecimento que não tem fim. E que o imperativo de acumulação dos tempos atuais não deixa de impor: faça mais, leia mais, estude mais, entenda mais. Ainda não fez? Faça. E depois faça mais. Mais, mais, mais.

É importante ler a bibliografia, terminar o artigo, ver a notícia, ouvir o podcast, mergulhar no livro. Mas é importante também dar espaço para o silêncio e para a falta. E deixar que essa falta seja a bússola do caminho singular que se vai trilhar. Hoje, durante a semana, no próximo ano. Enquanto houver tempo.

A iluminação possível – Foto: Rach

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