Com o passar dos anos, os cartões foram mudando de forma e de significados. Num passado distante eram alternativas mais curtas às cartas. Como mensagens exclusivas de viagens, não parecem ter sido bem-sucedidos. Mais tarde, ficaram mais festivos, marcando presença em aniversários, casamentos e datas especiais. Depois evoluíram para versões musicais, e com a popularização do telefone, transformaram-se em telemensagens.
O advento da internet trouxe versões digitais com as mesmas características dos tradicionais. Mas o capitalismo exige inovação. Um mindset diferente. It’s time to branch out. Cartões de banco, cartões de fidelidade (são tantos que me pergunto se somos, de fato, fiéis). A revolução digital que seguiu joga ainda mais pesado. Hoje são digitais e de repente ninguém precisa mais de carteira.
Piscamos, o tempo passou, e quando chega o aniversário de alguém, as felicitações podem ser visualizadas por 15 segundos, durante 24 horas. Se repostar, ficam no seu arquivo – isto é, se não for deletada pelo remetente. Nesse caso, adeus dizeres amorosos.
Ou não. Talvez a arte de amar em papel ainda resista no meio do caos. Talvez alguém ainda queira entregar afeto de forma mais sólida, numa gramatura robusta com textura agradável e cores alegres. Talvez venham em bilhetes com adesivos. Talvez cheguem embrulhando um presente com um gato ranzinza. Talvez venham escritos a lápis. E se for no mundo real, podem ser acompanhados de um abraço em 5D.
