Me segue lá!

Viviane Silva

Se a vida, em linhas gerais, implica em algum tipo de participação comunitária, o novo milênio veio com o complicador das redes sociais. Não estou dizendo que interagir com estranhos não acontecia antes da internet, e quem foi adolescente nos anos 90 certamente participou de conversas unilaterais com desconhecidos, em que se fazia perguntas e depois de alguns segundos, a resposta vinha quando o copo se movia entre sim e não, letras do alfabeto e com sorte, não se quebraria libertando entidades que assombrariam a casa pelos próximos dias. Mais ou menos como a vergonha que vai assombrar você caso uma foto ou figurinha seja enviada para o grupo errado no WhatsApp.

Acontece que as redes sociais adquiriram personalidade própria e agora são regidas por regras muito claras. Hoje em dia, os adolescentes nem sabem o que significam as letras SMS e provavelmente acham que você deve ter se atrapalhado, slc. Por isso prefiro responder quem usa na mesma frase “cerveja” e “fds” e não “fds” depois de uma reclamação. Onde foi que a pangeia digital se despedaçou?

Descendente do bandeirante Orkut, o Facebook é o velho continente, aquele que não esconde seu envelhecimento demográfico: não existem jovens lá. Os poucos que persistem parecem um tanto confusos e acabam não contribuindo muito com os feeds. Tornou-se exclusivo de avós que, super modernos, aderiram à tecnologia mas que não seguiram na jornada evolutiva dos aplicativos e preferiram o conforto dos compartilhamentos sem fim. 

O Instagram, por outro lado, começou numa hype de exclusividade e ostentação onde, por alguns anos víamos apenas belos pratos sofisticados. Talvez os usuários tenham ganhado um peso saudável mas a obsessão com a magreza deu espaço para coaches motivacionais e frequentadores de academia – ainda não existiam crossfiteiros mas foi tenso. Depois chegou a vez das viagens e dos drinks e em 2021, bem mais ativista, pode ser o lugar ideal para veicular reportagens que aquele primo bolsonarista não viu mas deveria, conteúdos feministas e claro, selfies de pessoas que ficaram solteiras e querem divulgar a boa nova. O que os bons ventos trazem à sua DM?

Seguindo agora por continentes menos populares, o Twitter sempre foi uma plataforma meio propensa ao flop. Geração Z, esboça uma volta que nunca acontece e acabou se tornando o caixote no centro da cidade movimentada onde alguém sobe e faz discursos para uma população que passa apressada sem tempo para ladainhas. Sobrevive de prints de boas sacadas postadas no Instagram.

O TikTok não é uma rede social. É uma droga sintética. É um buraco negro no universo. É a baladinha pop, o inferninho que transforma um jovem adulto em um tiozão. Nada de bom pode sair daí e tudo de bom pode se perder se chegar perto demais daquilo que a Geração Alpha chama de For You. Lá o tempo também não corre da mesma forma, e três minutos correspondem a quatro horas inteiras na vida real. Resumindo, é um buraco negro etarista e todo cuidado é pouco.

Para terminar nada pior que o chatíssimo LinkedIn, que como diz o meme, serve apenas para empurrarem em você a versão paga e para que os proletários do mundo se unam, não para o happy hour e muito menos para a revolução, mas para exaltação de mais um dia de exploração de sua mão de obra. Brincadeira, boss! Fiz um #tbt massa pra jogar lá, mas só na quinta. #sucesso #inglêsfluente.

Feeds good vibes e bem alimentados

Estatísticas? Temos.

Youtube (96.4%), WhatsApp (91.7%), Facebook (89.8%), Instagram (86.3%), Facebook Messenger (68.5%), Twitter (51.6%), TikTok (47.9%), Pinterest (47.1%), LinkedIn (42.6%) e Telegram (29.4%).
Fonte: https://resultadosdigitais.com.br/blog/redes-sociais-mais-usadas-no-brasil/

2 comentários em “Me segue lá!

  1. Amei você traçando os caminhos da pangeia digital. Berro que o Twitter é o caixote no meio da praça, perfeita a definição 😂

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    1. Hahahahahahahahahaha o melhor que consegui pra não falar em pregações 😬

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