Viviane Silva
2021 definitivamente não foi um ano, foi um teste de resistência. Em todos os sentidos. Seguimos dentro de máscaras, com nossos sacos cheios e riscos constantes à saúde de todos. No trabalho, as exigências atingiram níveis absurdos que são inversamente proporcionais aos limites e ao bom senso. Quem se manteve por dentro do cenário político não conseguiu um minuto de descanso. O dinheiro continua sendo uma piada neste país, que por sua vez deve contribuir bastante para a instabilidade das relações familiares e sociais no ano eleitoral de 2022. E aí sobra o quê? Vida amorosa, certo?
Errado, porque essa área também não se mostrou um bom investimento nos últimos doze meses. Admito que houve uma melhora em relação ao mesmo período no ano anterior, mas o mercado permanece instável e não muito atrativo aos investidores de perfil menos agressivo. Admiro gente arrojada, mas ainda preciso treinar minha paz interior diante de tantas flutuações em nome de retornos mais altos.
Pensando nisso e cansada dos últimos déficits, há algumas semanas declarei toalha jogada nas minhas aplicações. O problema é que nem só de app de relacionamento vivem as investidas, e uma DM mal supervisionada pode ser oficina de investidor inconsequente. Observem este estudo de caso: em face da especulação de um player que já aparecia no meu radar há um tempo, reconsiderei e peguei de volta a toalha jogada quando recebi uma proposta de investimento bastante interessante.
A aplicação inicial era baixa e os retornos incríveis. Não demorei a acreditar no ativo e intensifiquei meus investimentos. Mas o que eu não lembrei foi que o mercado está mais instável do que nunca. Embora a rentabilidade tenha aumentado inesperadamente, uma mudança qualquer no cenário provocou uma queda brusca que devastou a cotação do tal asset em algumas horas. Como é que se explica uma oscilação tão grande? A resposta é tão simples quanto triste: Day Trade não é pra todo mundo.
Mas como garantir uma rentabilidade interessante a médio ou longo prazo a despeito das perdas que até o melhor dos investimentos pode sofrer? Embora os especialistas se dividam em suas recomendações, a maioria parece concordar que, antes de fazer um investimento, não adianta olhar apenas o desempenho recente do seu ativo. Além de dados sobre o perfil da empresa, devemos analisar o comportamento desse fundo nos últimos anos. E mesmo assim não há garantias. No fim das contas, são quase unânimes em dizer que a melhor estratégia é manter uma carteira diversificada que não comprometa o patrimônio caso haja uma baixa em algum dos tantos benchmarks que regem o mercado financeiro.
Tá, mas e o saldo, fica negativo? Depende. Se tivermos um fundo de reserva, conseguimos segurar as pontas e controlar os danos. Claro que pode levar um tempo, porque nem sempre a liquidez é diária. Com um pouco de sorte, uma hora a gente saca que é preciso ficar de olho na taxa Selic pra não cair em qualquer cilada. Quem fez isso, desencanou de ficar apostando nos CDBs e CDIs das rendas fixas da vida, foi viver feliz com o próprio tesouro [direto] e agora vai poder terminar o ano em paz – toalha jogada ou não.
