Viviane Silva
E no meio desse feriado, meio carnavalesco, meio pandêmico, o Quarent.A meio que completou um ano de existência. “Meio que” porque eu já vinha escrevendo as crônicas há um tempo. “Meio que” porque às vezes escrevo e não posto. “Meio que” porque o blog nasceu dia 21 e o primeiro post veio dia 25. “Meio que” porque, como tudo na vida, nada é muito consistente ou linear.
Comecei falando sobre as dores de uma trajetória que é minha mas que não é só minha. Ostentei meu café da manhã instagramável e meus rituais matinais. Comparei o que a gente leva pra cama, dos livros aos crushes. Revelei expectativas frustradas de dates que a gente acha em app de relacionamento ou que acham a gente numa DM de Instagram. Tentei dissecar o desejo e só encontrei a dificuldade de identificar de que ele é feito.
Falei sobre culpa. Falei sobre vacina. Falei sobre medo. Falei sobre a minha cicatriz. Falei sobre os meus retalhos. Falei sobre mentira. Falei sobre liberdade. Falei sobre casamento. Falei sobre amizade. Falei sobre relacionamentos. Falei sobre términos. Falei sobre ser solteira. Falei sobre individualidade. Falei sobre mim. Falei sobre o que vi, ouvi e vivi.
Fiz metáforas usando cafés, vinhos, séries, investimentos e o nada. Fiz paralelos improváveis. Fiz revelações mais e menos disfarçadas. Fiz tour pela Vila de Jundiahy e pelas ruas de Paris. Fiz repetições necessárias, de novo e de novo. Fiz textos sobre o que permanece e sobre o que já foi. Fiz crônicas que nunca serão lidas. Fiz prosa, poesia e prosa poética.
Admiti que a sabedoria não veio quando quarentei. Admiti que fujo uma vez ou várias. Admiti que me enganei até com vinho. Admiti que viver é perigoso e implica em riscos. Admiti que usava aplicativos de relacionamento. Admiti que caí em ciladas clássicas. Admiti que me apaixonei. Admiti que acabou. Admiti que sozinha é prático. Admiti que junto é bom.
Fiquei comigo. Fiquei com alguém. Atenta. Distraída. Ora on-line, ora off-line. Um pouco quebrada, um pouco inteira. Em silêncio, no meio do barulho. Algumas vezes sem palavras, muitas vezes sem explicações. Sempre sem filtro, nunca sem perguntas.
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PS: Pra quem ficou comigo ao longo ou parte desses doze meses, treze beijos – obrigada por me ler!

Com você, sempre que você quiser ❤️ saúde e vida longa à Quarenta
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Sempre! ❤️ Amo vc!
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