Viviane Silva
Outro dia ouvi uma amiga dizer que ex bom era ex morando no Japão. Existem ex de todos os tipos e talvez alguns não estariam longe o suficiente ainda que tivessem sido despachados para outro continente. Tem ex que provavelmente mandaria você para lugares inóspitos, se pudesse. Tem ex que, pela diferença de idade, você fica na dúvida se morreu ou se só não aprendeu a usar redes sociais.
Tem ex que diz por aí que você é maluca, mas tem ex que manda jobs. Tem ex que chama pra churrasco, ex que conta de crush e ex que só aparece para pedir favores. Tem ex que cisca de vez em quando na certeza que você vai cair no papinho de sempre – e às vezes você cai mesmo. Tem ex que deveria ter ficado no lugar de amigo porque como amigo é sensacional. Tem ex que em vez de responder a mensagem que você mandou perguntando algo, liga pra trocar ideia porque faz tempo que não conversam. Tem ex que não chega a ser ex porque não se qualificou na primeira fase.
Mas, qual o segredo de um final mais feliz? Qual a probabilidade de consenso quando termina um relacionamento? O que leva a gente a querer desesperadamente beijar uma boca um dia e no outro querer morrer de desespero só de pensar nas coisas que já ouviu saindo da tal boca? O que muda da noite que a gente mal consegue esperar só pra dormir do lado de alguém, pro dia que a gente se enche de coisas pra fazer só pra não precisar ficar junto? O que muda da sexta que a gente sai do trabalho e vai curtir um barzinho de mãos dadas, pra outra sexta em que desemboca num boteco com roda de samba, cerveja na mão direita, cigarro na esquerda?
Geralmente, quando um relacionamento meu acaba, me transformo numa falecida digna de poesia ultrarromântica – silenciosa, distante, enterrada. Pelo menos por um tempo, até que as coisas mudem, as histórias sejam ressignificadas e devidamente arquivadas. E toda vez que vejo alguém forçando situações agradáveis com o ex logo que o namoro termina, sinto que estou mais perto de acreditar nos benefícios quânticos da lei da atração do que na estratégia adotada.
Sempre defendo a necessidade de se estabelecer novas rotinas, de ajustar a quantidade de café, de se acostumar com a atual temperatura da cama. Mas na verdade, acho que se trata mesmo de tempo para processar o luto em todas as suas fases e sem o menor glamour até o dia em que os detalhes dolorosos fiquem menos nítidos e a vida singular mais gostosa.
De um jeito ou de outro, essa dor que se concretiza e tem nuances, memórias, razões, dúvidas, alívio, medo e mais um monte de coisas, eventualmente acha um desfecho. A vida encontra uma forma de apontar outras direções. Com o tempo, outros começos vão se apresentando e quando menos esperamos, estamos mergulhando numa história novinha em folha. Talvez até com um ex. De novo. Na vida pessoal, e se tudo der certo, na vida política. Será que rola?

Arrasou, V! 👏🏼👏🏼👏🏼
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♥️♥️♥️
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Foi um prazer ler-te… e me diverti lembrando de amigas que reclamam de um ou outro ex, mas não pensam no Japão e sim em outro Planeta, para assegurar que estariam fora de alcance. rs
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